Fundação - Quando a frota comandada por Francisco Caldeira Castelo Branco ancorou na Baía do Paraná-Guaçu, nome que os índios Tupinambás davam à Baía de Guajará , em 12 de janeiro de 1616, estava instalada a mais nova conquista portuguesa ao Norte do Brasil. Preocupado em conter o avanço de ingleses, holandeses e franceses que então ocupavam o norte da América do Sul, Castelo tratou de construir uma praça de guerra em torno do que chamou Forte do Presépio, hoje Forte do Castelo. Sucederam-se guerras, revoltas e revoluções, todas marcadas por um traço comum:a reação ao estrangeiro. A então cidade de Santa Maria de Belém, hoje apenas Belém,consegue a ferro e fogo, finalmente, se estabelecer.
Formação étnica - O paraense, como todos os brasileiros, teve origem na miscigenação das raças.Do ponto de vista étnico, constituiu-se do branco europeu, do nativo e do negro africano, predominando os traços da etnia, ainda hoje uma das características do povo local.
Conquistas - A Cabanagem, revolução irrompida no Pará no dia 7 de janeiro de 1835, foi a primeira na América Latina, e única no Brasil, em que o povo realmente assumiu o poder. Como a maioria dos combatentes era constituída de pessoas humildes, que moravam em cabanas, foram denominados Cabanos; e, em decorrência, a revolução ficou conhecida como Cabanagem.
Foram muitas as causas remotas e imediatas da revolução. Entre elas, a frustração nacionalista após verificada a adesão do Pará à Independência do Brasil em 1823; e que, embora aderindo ao império brasileiro, o paraense continuou afastado das decisões políticas, e o poder continuou concentrado em mãos dos conservadores, ou seja, daqueles que vinham explorando o Pará desde os tempos do Brasil Colônia.
A Cabanagem foi uma explosão nativista, uma espécie de frente ampla que congregou os insatisfeitos burgueses nacionalistas que queriam a sua fatia do bolo econômico.
Os militares que desejavam escalar postos maiores; os políticos que queriam a sua vez; os sem-terra que ansiavam por terra; os índios e mestiços, que guardavam ódio contra os dominadores desde os tempos da conquista: os negros escravos que pugnavam por Liberdade. Lógico e compreensível que, após a vitória, esses grupos entrassem em choque entre si, pela heterogeneidade de classes, e de interesses.
Faltou ainda, à Cabanagem, um programa e um grande Líder.Este Líder era Batista Campos, que morreu seis dias antes das lutas armadas. A Cabanagem teve raio de ação imenso.
De Belém, irradiou-se por todo o interior amazônico, pois naquela época, toda a Amazônia era Província do Pará. Na capital, reassumiram o poder em 13 de maio de 1836; porém, no interior, as Lutas prosseguiam ate 1840. Ao todo, ficou um saldo de 30.000 mortos, 1/4 da população amazônica da época. Mas deixou, como saldo positivo, a quebra do monopólio mercantil e a perda da controle político por parte dos conservadores e o desbaratamento do sistema escravagista do Pará.
Personalidades históricas - Na Cabanagem destacaram-se nomes como Felipe Patroni, fundador do jornal "O Paraense", um dos principais instrumentos da causa. Com ele, desdobraram-se à frente do movimento o cônego Batista Campos, Félix Clemente Malcher, os irmãos Francisco e Antônio Vinagre e Eduardo Angelim, entre outros.